Resenha: Sense8

Você, que não aguenta seriados lentos, com plots confusos e misteriosos: serei sincera, talvez esse post (e essa série) não seja para você. Mas você, que ama seriados baseados na exploração íntima de personagens e que trabalha com conceitos novos: já assistiu Sense8?

Resenha Sense8

Estava esperando por essa série desde que os primeiros trailers começaram a aparecer. O fato de ser feita pelos irmãos Wachowski (Trilogia Matrix, Jupiter Ascending) já despertou meu interesse: seus filmes, mesmo quando não dão certo, sempre apresentam ideias diferentes e fantasiosas, justamente o que procuro. Quando li a premissa de Sense8, foi impossível não se apaixonar: oito estranhos espalhados pelo mundo que, de repente, desenvolvem um link mental entre si? Mesmo que a série se tornasse horrível, teria valido a pena só por lançar essa ideia no mundo. Para minha sorte, não fui decepcionada.

Quando sentar para assistir o primeiro episódio, é bom se preparar para uma introdução lenta de todos os oito personagens, e uma introdução mais lenta ainda dos vilões e da “história em si”; o seriado termina os três episódios (de uma hora cada) praticamente sem revelar o “objetivo principal” da história, os vilões, ou até mesmo o caminho que os protagonistas devem tomar. Ao invés disso, Sense8 se preocupa em mostrar à audiência cada detalhe da vida interior do personagem. A “lentidão” do desenvolvimento da história dá espaço para uma vasta exploração das motivações, desejos, e passado de cada um dos oito protagonistas.

Os irmãos Wachowski disseram que essa primeira temporada é o “prólogo” de Sense8: uma apresentação do mundo e seus personagens. De fato, é apenas no final da primeira temporada que o verdadeiro “mistério” da série – certos remédios da empresa farmacêutica – começa a ser revelado. Similarmente, os personagens passam a maior parte do tempo sozinhos, se encontrando apenas em certos momentos, até se juntarem no último episódio. Faz sentido para a construção da história, mas ainda assim é um fato triste, pois os melhores momentos da série são quando dois ou mais “sensates” – como as pessoas com os links mentais são chamadas – se juntam.

O ponto principal da série é justamente esse: Sense8 não é uma história sobre conspirações governamentais e corrupção farmacêutica, mas sim uma história sobre como oito estranhos se conhecem, ajudam um ao outro, e se tornam uma família. Tal ajuda não é apenas ajuda em uma luta, ou hackear sites da polícia, mas sim ajuda emocional, oferecendo conselhos, ou apenas uma companhia em momentos difíceis. Certas pessoas criticaram a presença da Riley no seriado – “ela é apenas uma DJ, não tem nenhuma ‘habilidade’ ou ‘talento’ útil” – mas o que não perceberam é que a habilidade de Riley de oferecer conforto aos outros sensates é tão útil quanto, por exemplo, o talento em artes marciais de Sun.

Outro ponto positivo da série é como os irmãos Wachowski levam seus personagens em direções inesperadas. Antes do lançamento da série, a Netflix lançou uma série de character trailers introduzindo cada um dos oito sensates. Segundo tais trailers, cada personagem parece oferecer uma trajetória interessante, mas previsível: Lito, o ator mexicano que é secretamente gay e precisa lidar com uma atriz obcecada com ele. Sun, a empresária coreana que trabalha na empresa da família, mas secretamente participa de lutas. E é claro, Will, o policial de chicago, que será o foco central do seriado. Olhando para esses resumos, parece óbvio o percurso que cada personagem irá trilhar durante a temporada. E os trailers não mentem: todos os personagens são exatamente o que os trailers mostram…. durante o primeiro episódio. Os irmãos Wachowski partem dessas premissas óbvias e as levam a desenvolvimentos inesperados. Isso se torna especialmente verdadeiro nas histórias de Lito e Sun. O jeito com que Sense8 lidou com a tal “atriz obcecada”  foi uma surpresa mais do que agradável, e Sun acabou se tornando a personagem com a história mais interessante, e pela qual menos posso esperar para ver sua continuação na segunda temporada.

Com tantos personagens carismáticos e histórias interessantes, talvez a maior crítica de Sense8 seja, ironicamente, a falta de tempo. O foco durante a maior parte da primeira temporada é recai sob os personagens localizados nos Estados Unidos e Inglaterra; Sun, Lito, Kala, e Capheus, por não estarem geograficamente próximos do epicentro da história, se tornam levemente deslocados e subutilizados. Isso é algo que espero que a segunda temporada corrija; Sun, Kala, e Capheus estão todos ligados à indústria farmacêutica, que parece que será o próximo foco do seriado. É claro, se Sense8 for renovado: ainda não há nenhuma confirmação de uma segunda temporada, portanto deixem a Netflix saber que todos vocês estão interessados em uma continuação!

Sense8 é uma ótima opção para todos aqueles interessados em premissas de fantasia ou ficção científica, mas com um foco inequivocamente humano. Apenas uma dica: não assistam sem fones de ouvido enquanto na presença da família, pois as cenas de sexo são frequentes: espere uma grande surpresa nesse aspecto durante o sexto episódio!

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