Resenha: Simon vs A Agenda Homo Sapiens, de Becky Albertalli

simon vs a agenda homo sapiensSimon tem dezesseis anos e é gay, mas ninguém sabe. Sair ou não do armário é um drama que ele prefere deixar para depois. Tudo muda quando Martin, o bobão da escola, descobre uma troca de e-mails entre Simon e um garoto misterioso que se identifica como Blue e que a cada dia faz o coração de Simon bater mais forte. Martin começa a chantageá-lo, e, se Simon não ceder, seu segredo cairá na boca de todos. Pior: sua relação com Blue poderá chegar ao fim, antes mesmo de começar. Agora, o adolescente avesso a mudanças precisará encontrar uma forma de sair de sua zona de conforto e dar uma chance à felicidade ao lado do menino mais confuso e encantador que ele já conheceu. Uma história que trata com naturalidade e bom humor de questões delicadas, explorando a difícil tarefa que é amadurecer e as mudanças e os dilemas pelos quais todos nós, adolescentes ou não, precisamos enfrentar para nos encontrarmos.

Simon vs A Agenda Homo Sapiens foi um dos primeiros livros que li em 2016 – para quem me segue no goodreads, vocês devem ter percebido que estou aproveitando esse último mês de férias da faculdade para ler loucamente – e imaginem minha surpresa e felicidade quando, após terminar o livro, descubro que ele já está com data para ser lançado no Brasil: 11 de fevereiro. O site da Livraria Cultura já tem até pré-venda! Só faltou eu soltar uns fogos de artifício aqui, de tão feliz que estava. Falo sério quando digo que todo mundo merece ler esse livro.

Sinceramente, Simon vs A Agenda Homo Sapiens é tudo que eu queria que Aristóteles & Dante Descobrem o Segredo de Universo tivesse sido. É um livro bem YA, narrado em primeira pessoa, com tudo que uma voz de narrador adolescente implica: não só o estilo de escrita mais direto e simples, com várias referências à cultura pop, mas também todo o tema de ensino médio, grupinhos de amigos da escola, brigas com os pais, e dúvidas sobre quem ele realmente é ou quer ser. Porém, em nenhum momento o livro se torna bobo demais, ou o narrador se torna irritante com suas preocupações adolescentes. A autora consegue balancear o tom do livro com maestria, criando uma leitura leve e divertida  mas que em nenhum momento se torna entediante ou irritante.

Grande parte do sucesso do livro está, é claro, em seus personagens. Simon é o protagonista ideal para um livro como esse: está cheio de dúvidas sobre sua vida, e comete erros como todo adolescente, mas é simpático e divertido; lendo o livro, você nunca se pergunta por que os personagens secundários o adoram tanto. E os personagens secundários, por sua vez, nunca parecem personagens secundários: eles tem sua própria história e trajetória a seguir, independente de Simon. Todos eles parecem humanos, e não apenas caricaturas criadas para preencher espaço no livro.

Falando em personagens humanos, me impressionei com a construção de Marvin, o personagem que chantageia Simon ao longo da história. Ele não é o típico bully que normalmente são os vilões desse tipo de história. Marvin é um humano como qualquer outro: tem suas qualidades e defeitos, seus pontos positivos e negativos. Em várias partes do livro, até mesmo Simon se percebe  gostando de Marvin por alguns momentos; e apesar disso tudo, Marvin ainda é indiscutivelmente o antagonista do livro. Isso é algo muito importante, principalmente para os adolescentes que lerão Simon: muitas vezes, a pessoa que te faz mal não é um vilão típico de televisão, obviamente “malvado”. A pessoa homofóbica/racista/sexista é apenas uma pessoa, às vezes legal e simpática, com suas próprias qualidades…. e isso não torna o mal que ela faz menos terrível, ou mais digno de perdão. O desfecho entre Marvin e Simon foi perfeito nessa questão.

Quanto ao romance, estava preocupada que, por conta de Simon não saber quem Blue é durante boa parte do livro, o romance pareceria forçado. Porém, nada disso aconteceu: foi divertido tentar descobrir a identidade de Blue antes da revelação, e depois da revelação, é mais do que aparente o quão bem os dois funcionam como um casal. A parte de romance só é “concretizada” no final do livro, mas mesmo com um tempo tão curto, Simon e “Blue” já se tornaram um dos meus casais favoritos.

Simon vs A Agenda Homo Sapiens é o livro perfeito para quem quer uma leitura rápida, divertida, e positiva. Esse normalmente não é meu tipo de livro favorito, mas o peguei depois de ler três livros seguidos com finais depressivos e buscava algo para me animar; pensei que seria apenas algo leve para passar o tempo, mas me surpreendi com como me apaixonei pelo livro e seus personagens. Se você está a procura de um livro para se sentir feliz, essa é a escolha perfeita.

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Um comentário sobre “Resenha: Simon vs A Agenda Homo Sapiens, de Becky Albertalli

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