Resenha: Temporada dos Ossos, de Samantha Shannon (Temporada dos Ossos #1)

temporada dos ossosPrimeiro livro da #vedatona lido! Era para tê-lo terminado mais cedo, mas passei o fim de semana inteiro fora; e considerando que esse é um livro de um pouco mais de 450 páginas, acho que estou num ritmo legal.

Agora, esse livro! Ia deixar para fazer resenhas depois da #vedatona terminar,  mas preciso falar sobre ele. Porque adorei, sim, mas só dei três estrelas para ele no goodreads… como assim? Continuem lendo para descobrir. 😉

Distopia com uma pegada sobrenatural são os ingredientes da série Bone Season, de Samantha Shannon, que chega ao Brasil pelo selo Fantástica Rocco. Ambientada em 2059, a trama acompanha a protagonista Paige Mahoney, uma andarilha onírica, alguém capaz de entrar na mente das pessoas e captar pensamentos e fragmentos de sonhos. Considerada traidora pelo governo, Paige paga por seu dom com a sua liberdade e é enviada para uma prisão secreta em Oxford. Lá, ela conhece os Rephaim, criaturas de uma raça antiga que desejam controlar a clarividência de Paige e de outros como ela, e precisará aprender a confiar em aliados improváveis não só para reconquistar a liberdade, mas garantir a própria sobrevivência. Considerada um dos principais nomes da literatura de fantasia dos últimos tempos, Samantha Shannon entrega aos leitores um romance surpreendente e arrebatador.

(Posso só rapidinho comentar sobre a capa de Temporada dos Ossos? Porque ela já era linda na edição gringa, mas a edição brasileira conseguiu deixá-la ainda mais maravilhosa. Parabéns para editoras brasileiras, arrasando no quesito capas mais uma vez.)

Mas então, Temporada dos Ossos. Que livro, minha gente. Amei muitas coisas nesse livro, principalmente o mundo criado pela autora e o desenvolvimento da relação entre os personagens principais. A história em si não é das mais originais – mais uma distopia sobre um governo opressor e uma classe social oprimida -, mas a adição de magia foi um toque de gênio da autora. Seu sistema mágico é original e complexo, misturando à uma história de ficção científica (distopia futurística, criaturas não humanas), toques de fantasia; e não qualquer fantasia, mas a fantasia baseada em nossa religião pagã, que é minha parte favorita. Comunicação com fantasmas, cartomantes, rituais de invocação de espíritos… já adoro qualquer história ligada a isso.

É claro, ter um mundo tão vasto e um sistema de magia tão complexo resulta no problema de ter que explicar tudo isso para os leitores. Toda uma avalanche de informação vem nos primeiros capítulos, e o leitor talvez passe pelo menos metade desse livro confuso com a terminologia do mundo. Honestamente, isso não me incomodou; não me importo de ter que ficar olhando o glossário do livro enquanto o leio. Mas isso pode incomodar outros leitores.

Apesar do mundo cativante, nenhuma história consegue se sustentar só com seu cenário; ela precisa também de personagens que tirem o maior proveito desse papel de fundo. Samantha Shannon também não erra aqui: sua personagem principal, Paige Mahoney, é ótima. Nem todos os leitores gostarão dela: ela é impulsiva, teimosa, e nem sempre toma as melhores decisões. Mas gosto de personagens assim, e Paige ainda tem uma característica que adoro em personagens femininas: ela é brava. Paige é extremamente indignada com sua situação, quer vingança, é até mesquinha em muitas situações, agindo de forma contrária apenas para irritar seu inimigo, e em nenhum momento a narrativa a pune por isso. Raiva é, na minha opinião, um dos sentimentos mais interessantes de se explorar em ficção. E uma personagem feminina que tem a liberdade de agir em sua raiva, com apoio da narrativa, já tem automaticamente meu amor.

Agora, a relação principal de Temporada dos Ossos. Como o sumário do livro diz, Paige é capturada por Rephaims, uma raça humanóide que chegou à Terra para controlar humanos com poderes como os de Paige (eu sei que parece bizarro mas o livro explica tudo direitinho, prometo). E quando chega lá, Paige é imediatamente “escolhida” por um dos Rephaims, Warden, para ser sua “escrava” (de novo, parece bizarro mas no livro faz sentido!). É claro, quando isso acontece imediatamente percebi que o livro estava perigando de ir pelo caminho do romance entre esses dois, e quis morrer de desgosto. Mais um livro bom arruinado por um romance sem pé nem cabeça!

Pois é né, engoli minhas próprias palavras.

O que me fez gostar da relação deles é que a autora, ao contrário de muitos outros que já escreveram esse tipo de relação, sabe que seu ponto inicial é muito, muito ruim: uma prisioneira e seu captor. Isso é muito problemático, gente! Você não pode fazer a personagem prisioneira passar a gostar de seu captor em cinco minutos! “Ah, mas ele não é igual os outros captores, ele é bonzinho” não faz a mínima diferença, a relação de poder entre os dois é MUITO desigual. Isso deve ser tratado com cuidado, que é o que Samantha Shannon faz. Paige passa grande parte do livro odiando, e depois não confiando, em Warden; e a narrativa nunca a pune por isso. Em um livro com um pouco mais de 450 páginas, o “romance” só começa no último 1/3 do livro, de maneira muito sutil e com ambos os personagens 100% conscientes de que estão fazendo uma grande burrada. Só assim para me fazer gostar de um romance desse tipo, e realmente gostei muito. Estou shippando forte os dois, haha.

Então esse livro tem um ótimo mundo, uma história que não é a mais original mas ainda assim é sólida, uma ótima personagem principal, um ótimo “romance”…. então porque só dei três estrelas a ele? Porque, por mais que tenha amado tudo isso, uma coisa me incomodou muito, do começo ao fim: a escrita de Samantha Shannon.

Me sinto meio mal em criticar estilo de escrita porque isso é algo muito subjetivo. Sou a primeira a confessar que prefiro estilos descritivos e floridos, que mergulham fundo na mente dos personagens e dissecam suas emoções. O estilo de Samantha Shannon é o oposto disso: frases curtos e diretas, e parágrafos com muitos pontos finais (tantos que fiquei com vontade de mudar metade para vírgulas, haha). Então parte do problema que tenho com sua escrita pode ser apenas questão de gosto. Mas mesmo levando em conta o fator pessoal, ainda há defeitos que podem ser detectados.

O problema com a escrita desse livro, na minha opinião, é que pode-se notar claramente que é o primeiro livro da autora. Há erros de ritmo da trama óbvios, cenas abruptas demais, momentos emocionantes que não funcionaram, reviravoltas que são óbvias para o leitor. Paige e Warden são personagens muito bem desenvolvidos, mas o resto dos (vários) personagens secundários são rasos e sem nenhum desenvolvimento. A relação entre Paige e os personagens secundários também é muito abrupta – de onde essa amizade veio? E porque esses dois se odeiam? Os personagens simplesmente se amam ou se odeiam à primeira vista e pronto, nenhuma explicação.

Um estilo de escrita melhor, ou um escritor mais experiente, elevaria esse livro para no mínimo 4 estrelas muito facilmente. Mas minha esperança é que, como o fato desse ser o primeiro livro da autora ser justamente a causa da maioria dos pontos que me incomodaram, haverá apenas melhora nos próximos livros. Estou ansiosa para a continuação dessa série; tanto para saber o que acontece na história, quanto para ver a evolução de Samantha Shannon.

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3 comentários sobre “Resenha: Temporada dos Ossos, de Samantha Shannon (Temporada dos Ossos #1)

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