Dez livros que li em setembro de 2016

Setembro foi um mês produtivo: li 9 livros, 3 contos, e 2 livros de poemas. O impressionante, porém, não foi a quantidade de livros, mas sim a qualidade: dei 2 estrelas ou menos só para 3 leituras, de 14 no total! Chegou uma hora que estava quase pegando um livro ruinzinho de propósito, só porque senti que estava dando 4/5 estrelas pra livros demais hahaha. Não vou falar de tudo o que li aqui, mas farei uma “Sessão Highlights do Mês”, com os livros mais interessantes que li nesse tempo.

A primeira surpresa do mês foi, é claro, A Fúria e a Aurora (). Já escrevi uma resenha bem longa sobre o livro aqui, mas basicamente o que eu achei foi: se levássemos em conta apenas a história/plot, esse livro estaria bem mais para 3 estrelas do que 4 – várias coisas não são explicadas direito, ou aparecem muito subitamente, ou são introduzidas na história apenas para desaparecer cinco minutos depois -, mas para nosso alívio um livro não é feito só de plot, mas também de personagens, certo? E nesse quesito, o livro é impecável. É muito raro eu gostar de um livro 99% focado no romance (e romance hétero ainda por cima HAHA), mas para minha surpresa não apenas fui conquistada pelo casal, mas me vi adorando o interesse romântico masculino – coisa muito difícil de acontecer! Mas Khalid me surpreendeu ao ser um personagem muito diferente do que é normalmente esperado desses tipos de romances.

Após amar tanto o primeiro livro, não pude não ir correndo para o segundo, certo? Então já engatei The Rose & The Dagger () como próxima leitura. Achei que gostei um pouquinho menos desse livro em comparação com o primeiro, justamente porque os mesmo problemas no plot de A Fúria e a Aurora estavam aqui – e dessa vez não tinha a desculpa de ser “o primeiro livro de uma série, está apenas introduzindo a história”, mas sim a responsabilidade de ser o livro final e precisar fechar todos os pontos da história. Esse com certeza ganharia 3 estrelas se o estivesse julgando apenas pela história. Mas não estou! Estou julgando pelos personagens, e gostei ainda mais da relação entre Sherazade e Khalid nesse livro. Comento na minha resenha do primeiro livro que os dois me lembram de Hades e Persephone; pois bem, em The Rose & The Dagger essa comparação fica ainda mais clara para mim. Khalid evolui muito como personagem, se torna mais calmo e sensível, e em comparação, Sherazade se torna ainda mais selvagem e temível. Enquanto lia as cenas com Sherazade, a imagem de “Persephone, a Rainha Temível” não saia da minha cabeça. Nem todos irão gostar dessa evolução da personagem, mas para mim, que tem Hades e Persephone como meu mito favorito, foi perfeito.

Conversei bastante sobre personagens masculinos em romances e porque Khalid me conquistou em minha resenha sobre A Fúria e a Aurora; então só queria deixar aqui um exemplo dos personagens masculinos que disse que odeio: Nova de Labyrinth Lost (). Fiquei muito triste de não ter gostado desse livro, principalmente quando era um dos lançamentos do segundo semestre de 2016 pelo qual estava mais animada! Mas realmente não deu. Quando os personagens não me irritavam (tchau Nova), eu era simplesmente indiferente a eles; ninguém me conquistou, não vi profundidade (ou, sinceramente, uma personalidade em geral) em ninguém. Escrevi mais sobre esse livro no goodreads, mas é: foi a maior decepção do mês.

Se esse lançamento foi decepcionante, estou feliz em dizer que os outros dois lançamentos da minha lista de YAs LGBT lidos foram tão incríveis quanto esperava! Girl Mans Up (★★) foi o primeiro livro do mês a receber 5 estrelas, e foram mais do que merecidas. O livro cumpriu tudo o que prometeu: fez um ótimo estudo sobre sexualidade vs gênero vs expressão de gênero, usando sempre a linguagem e ponto de vista da protagonista adolescente que não sabe nada de “teoria queer”, e tenta explicar o que está sentindo (mais de uma vez ela tem que dizer que não é trans, se considera uma garota, só não gosta de “coisas de garota”, ou seja, feminilidade) com seu próprio vocabulário e experiências. Não apenas isso, mas Girl Mans Up oferece personagens femininas em geral extremamente variadas, e foca na beleza de relações entre mulheres: não apenas romance, mas também amizade. No começo da história, Pen só tem amigos meninos – que, como a a maioria dos adolescentes,  tem uma ideia de “masculinidade” extremamente tóxica. O que faz Pen crescer e começar a se aceitar como é – uma lésbica masculina – é não só seu novo romance com Blake, mas também sua nova amizade com Olivia. As duas relações são igualmente importantes para a história, e servem para mostrar que não há um jeito certo de “ser uma garota”: desde a mais feminina, como Olivia, desde a mais masculina, como Pen, todas as expressões de gênero são válidas.

É uma pena que Girl Mans Up não tenha sido lançado aqui no Brasil (ainda?), porque se tivesse sido, estaria fazendo propaganda desse livro 24h por dia, 7 dias por semana. Todos precisam ler esse livro.

O último lançamento lgbt lido foi meio que uma surpresa, e confesso que metade da razão de eu estar escrevendo sobre esse livro aqui é porque quero me gabar um pouquinho hahaha 😉 mas a outra metade é porque realmente é um livro ótimo. Timekeeper (★★★★)  só será lançado em novembro, mas graças ao Netgalley, consegui uma cópia digital avançada (e-ARC) do livro para resenha! Caso queiram ler, postei minha resenha completa no goodreads; mas resumindo, Timekeeper atingiu todas as minhas expectativas: uma história de steampunk com uma construção de mundo ótima, personagens incrivelmente simpáticos, e um personagem principal que realmente prende a atenção do leitor; sério, Danny é um dos melhores protagonistas que encontrei recentemente. Timekeeper só não ganhou 5 estrelas porque durante todo o livro fiquei pensando “essa história tem potencial pra ficar muito melhor depois que nós passarmos dessa introdução”. O primeiro de uma trilogia, Timekeeper me lembrou da mesma sensação que tinha quando lia Os Garotos Corvos pela primeira vez – e eu sei que essa é uma comparação muito forte vinda de mim, que considera A Saga dos Corvos minha série preferida! -: de que esse é um ótimo primeiro livro, mas a continuação será melhor ainda.

Outro livro altamente antecipado – pelo mundo inteiro exceto eu – foi a continuação de Six of Crows, Crooked Kingdom (★★★★). Confesso que nem estava animada para ler esse livro, porque – ao contrário de 90% do mundo – não achei Six of Crows lá essas coisas. Mas Crooked Kingdom me surpreendeu! Gostei bem mais dele do que do primeiro. A Leigh Bardugo até me fez gostar dos dois personagens que eu “odiava” (Kaz e Matthias) aqui! E é claro, Inej, Nina, e Jesper e Wylan (MEUS FILHOS) continuam fenomenais. Porém, nem tudo são flores; tive o mesmo problema que tive com Six of Crows, que é: chegou na metade do livro e eu já no aguentava mais, já estava cansada da história, não ligava nada pro plot. Acho que simplesmente não sou leitora de livros com um foco tão grande no plot assim, não rola comigo. Se eles livros tirassem metade do foco no plot e transformassem em foco nos personagens, seria a fã número um dessa série. Mas do jeito que é… simplesmente não faço parte do foco demográfico dessa série, hahaha. Não significa que é uma série ruim, longe disso! Simplesmente não combina comigo.

Mas vamos falar de algo diferente? Vamos falar de conto e poesia. Pois li dois exemplares desses gêneros (tá certo charmar conto e poesia de gênero? Sou aluna de Letras e não sei isso, vou repetir de ano) ótimos em setembro. O primeiro foi o livro de poesia, Hold Your Own da Kate Tempest (★★★★). Essa é uma coletânea de poemas inspirados no mito de Tirésias: um oráculo grego que nasceu menino, foi transformado pelos deuses em uma mulher, novamente transformado em homem anos depois, e finalmente foi cegado pelos deuses – e nesse momento ganhou suas habilidades de oráculo. Hold Your Own usa esse mito para estudar diversos temas de gênero e sexualidade; e na última parte do livro – na parte do Tiresias Oráculo – a autora também aborda outros temas da nossa sociedade moderna como guerra, violência, e corrupção. É uma coleção maravilhosa, que só se torna melhor quanto mais pensa sobre ela; a dei 4 estrelas no momento em que terminei a leitura, mas agora estou considerando seriamente aumentar essa classificação, porque não consigo parar de pensar nesse livro.

Hold Your Own (ainda) não foi publicado aqui no Brasil, mas o outro livro de Kate Tempest – desse vez um livro de prosa, Os Tijolos nas Paredes das Casas – foi lançado aqui recentemente, e estou muito curiosa para lê-lo.

Agora sobre o conto: The Siren Son, da Tristina Wright (★★★★). Gente que conto ótimo. Só não dei cinco estrelas porque tem uns pequeeenos pontos na escrita que me incomodaram um pouquinho, mas isso foi coisa mínima. A Tristina consegue criar, em um conto minúsculo, uma história incrível com construção de mundo, desenvolvimento de personagens, e andamento de história, tudo muito bem escrito. The Siren Son conta a história de um mundo onde dragões e sereias existem, e os humanos se vêem presos no meio dessa guerra entre dois seres infinitamente mais poderosos que eles. No meio dessa guerra, dois garotos se reencontram, e tentam mudar o rumo da história da humanidade. Sério, essa é uma história incrível. E o melhor de tudo é que, apesar de ter sido publicada em uma revista de ficção científica originalmente, ela agora está disponível online! Então se você consegue ler em inglês e tem cinco minutinhos de sobra, clique aqui imediatamente e leia The Siren Son. Tristina Wright lançará seu primeiro livro, 27 Hours, ano que vem, e mal posso esperar para ler mais histórias dessa autora!

E finalmente, os dois últimos livros desse post precisam ser apresentados juntos: Etta e Otto e Russell e James (★★★★★) e As Estranhas e Belas Mágoas de Ava Lavender (★★★★★) são livros aparentemente completamente diferentes, mas que me deixaram com o mesmo sentimento de admiração ao terminar a leitura. Enquanto Etta e Otto acompanha a vida de um casal idoso, Ava Lavender acompanha a vida da avó de Ava, de sua mãe, e finalmente sua própria vida. Ambos os livros são de uma delicadeza ímpar, com uma escrita minimalista e poética, delineando seus personagens de maneira cuidadosa e emocionante. Provavelmente vou acabar escrevendo um post sobre esses dois livros, porque eles são daquele tipo raro de livro que te deixa com aquele sentimento de “esse livro me emocionou mas não sei exatamente por que” que só uma escrita incrível consegue.

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