Nebula Award: O prêmio de ficção científica e fantasia dos Estados Unidos

nebula

Fundado em 1966, o Prêmio Nebula é um dos maiores prêmios literários de ficção científica e fantasia atuais; ele só aceita obras publicadas nos Estados Unidos, mas sua influência é mundial. Todos os anos, membros do SFWA (Science Fiction and Fantasy Writers of America) votam nos melhores romances, novelas, noveletas, contos e roteiros de fantasia e ficção científica do ano. Há ainda o Norton – um meio termo entre categoria de Nebula e Prêmio Individual para livros YA do gênero, votados pelos mesmos membros do SFWA. A lista de nomeados de 2017 (ou seja, livros de 2016) foi finalmente anunciada, e há vários livros interessantes na lista!

Os seguinte livros foram nomeados à categoria de Melhor Romance de 2016:

  • All the Birds in the Sky, de Charlie Jane Anders: Patricia e Laurence, amigos de infância, partem caminhos no ensino médio. Anos depois, os dois se encontram novamente, em diferentes circunstâncias: Laurence é um gênio da engenharia, Patricia é uma graduanda da Eltisley Maze – a academia para pessoas com poderes mágicos -, o mundo está acabando, e ambos fazem parte de grupos distintos tentando salvar o que resta da Terra. All the Birds in the Sky mistura ficção científica e fantasia em uma história sobre o apocalipse, e estou bastante curiosa para ver como magia e ciência interagem entre si nesse mundo que é ao mesmo tempo tão parecido com o nosso e tão diferente.
  • Borderline, de Mishell Baker: Olhando apenas para a história desse livro, Borderline parece mais uma história de urban fantasy que já estamos cansadas de ver: a protagonista descobre que seres sobrenaturais existem, é recrutada por um agência secreta que tem como missão controlar os ditos seres sobrenaturais, e passa a resolver mistérios relacionados a esse mundo secreto. O grande chamativo de Borderline, porém, não é sua premissa, mas sim sua protagonista: Millie é uma cineasta que, há um ano, tentou se suicidar, fracassou, e por consequência perdeu suas duas pernas. Millie tem que lidar não só com problemas físicos, como também mentais – pois tem síndrome de personalidade borderline – enquanto desvenda mistérios sobrenaturais; essa questão de construção e desenvolvimento de personagem é o que mais me interessa nesse livro.
  • The Obelisk Gate, de N.K. Jemisin: The Obelisk Gate é o segundo livro da trilogia The Broken Earth. O primeiro livro, The Fifth Season, foi nomeado ao Nebula do ano passado, e ganhou o Hugo Awards. Esse foi o único livro da lista que já li, e tenho minhas dúvidas que qualquer outro livro consiga chegar no mesmo nível de Obelisk Gate; para mim, essa é a melhor série sendo publicada atualmente, não só de fantasia, mas no geral. Uma afirmação sensacionalista, eu sei, mas afinal, eu coloquei essa série como minha melhor leitura de 2016! Assim, as leituras que fizer relacionadas ao Nebula desse ano serão todas analisadas a partir do ponto de vista de se se comparam a The Obelisk Gate ou não.
  • Ninefox Gambit, de Yoon Ha Lee: Kel Cheris é uma capitã em desgraça depois de user “métodos não convencionais” em batalha contra heréticos. Ela é oferecida uma chance de se redimir: reconquistar uma fortaleza tomada pelos heréticos. Para isso Cheris precisará se aliar com Jedao, um estrategista conhecido por nunca ter perdido uma batalha; mas também conhecido por ter massacrado um batalhão inteiro sozinho. Ninefox Gambit é, em muitos sentidos, o livro mais desafiador para mim dessa lista: eu gosto de ficção científica, mas raramente leio “hard SF” – ou seja, ficção científica que vai fundo no lado científico da ficção -, muito menos um do subgênero militar. Mas ao mesmo tempo que o lado de construção de mundo parece um tanto intimidante, o lado da construção de personagens me deixou fascinada: muitas resenhas disseram que o grande ponto forte do livro são os jogos mentais entre Cheris e Jedao, e sua constante disputa para ver quem está no poder “de verdade”. Ninefox Gambit promete não só uma construção de mundo complexa, mas também relações interpessoais intrigantes.
  • Everfair, de Nisi Shawl: Acho que nada poderia explicar tão bem a premissa desse livro quanto sua própria sinopse: “Everfair conta uma história alternativa que explora o que poderia ter acontecido com a colonização desastrosa do Congo pela Bélgica se a população nativa tivesse descoberto a tecnologia a vapor um pouco mais cedo. Socialistas da Grã Bretanha se juntam a missionários afro-americanos para comprar terras do “dono” do Congo Bélgico, Rei Leopold II. Essa terra, Everfair, é transformada em um porto seguro, uma utopia imaginária para as populações nativas do Congo, assim como escravos fugitivos da América e outros lugares onde africanos estavam sendo maltratados.” Esse é um livro que trata de colonização, racismo, culturas variadas, e tecnologias alternativas. É obviamente um projeto bastante denso e complexo, e estou curiosa para ver como essa premissa ambiciosa é desenvolvida.

Além dos romances, as outras categorias também estão com nomeações bastante interessantes, como A Taste of Honey de Kai Ashante Wilson na categoria novela, e The Lie Tree de Frances Hardinge na categoria YA.  Caso queria ver todas as nomeações, a lista completa está aqui. Os vencedores serão anunciados entre os dias 18 e 21 de maio, ou seja, se você gosta de acompanhar prêmios literários, terá três meses para tirar proveito dessa lista de livros; eu sei que eu vou. 🙂

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