BAILEYS Women’s Prize 2017

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O vencedor do BAILEYS 2017 foi anunciado hoje, 07 de junho, e portanto resolvi fazer um post comentando sobre essa edição do prêmio inglês para livros escritos por mulheres. Eu descobri o BAILEYS Women’s Prize ano passado, e gostei bastante da lista de nomeados daquele ano; mas a lista de 2017 conseguiu se superar, porque dos dezesseis livros da longlist, a grande maioria me interessou muito! Vários desses livros eu já tinha ouvido falar sobre, graças a booktubers internacionais, mas vários livros foram totalmente desconhecidos; o mix perfeito entre antecipação e surpresa.

Da longlist, The Essex Serpent, The Lonely Hearts Hotel, The Lesser Bohemians, e The Gustav Sonata foram os livros que mais me chamaram a atenção. The Lesser Bohemians é o segundo livro da autora de A Girl Is A Half-formed Thing, livro que já ganhou o BAILEYS (e diversos outros prêmios), então há uma antecipação para ver se o novo livro da autora é tão bom quanto o anterior. The Essex Serpent foi o livro favorito de 2016 de vários booktubers gringos que acompanho, então ele já estava no meu radar a algum tempo. E os últimos dois livros são livros “meu tipo”: The Lonely Hearts Hotel é um livro sobre circo com protagonistas crianças; e The Gustav Sonata é um livro histórico sobre a amizade de dois garotos durante a Segunda Guerra. Crianças, amizade, e circo? É claro que entraram na minha wishlist na mesma hora.

Mas o mais interessante dessa lista foi sua shortlist, que escolheu seis livros igualmente interessantes. Essa é a primeira vez que tenho vontade de ler a shortlist inteira de um prêmio; cada livro me chama a atenção de um modo diferente.

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A shortlist consiste dos seguintes livros:

First Love, de Gwendoline Riley: O livro mais curto da lista, e o menos interessante a primeira vista, First Love conta a história de Neve, uma escritora casada com um homem mais velho chamado Edwyn. Eu não estava dando muito para esse livro, mas resenhas logo mudaram minha opinião: esse não é um livro de romance, mas sim uma história sobre abuso narrada por uma narradora extremamente não confiável. Parece que cada leitor sai com uma interpretação diferente do livro, e essas sempre são as leituras mais divertidas.

The Sport of Kings, de C.E. Morgan: Após o livro mais curto, temos o livro mais longo da shortlist. The Sport of Kings pode parecer uma história sobre corrida de cavalos, mas na verdade é uma saga épica sobre duas famílias: uma dinastia agrícola do sul dos Estados Unidos, e a outra, os descendentes de seus escravos. The Sport of Kings é uma história sobre racismo e as falácias da “supremacia branca”, com uma narrativa comparada à Donna Tartt, autora de A História Secreta, um dos meus livros favoritos. Não preciso nem dizer que tem meu interesse.

Do Not Say We Have Nothing, de Madeleine Thien: Finalista do Man Booker Prize de 2016 e agora finalista do BAILEYS de 2017, Do Not Say We Have Nothing é um livro extremamente condecorado, vencedor de diversos prêmios desde seu lançamento. E é possível entender o porque: é um livro histórico que viaja por três gerações de famílias chinesas; a geração que participu da Revolução Cultural, a seguinte que participou do Protesto de Tiananmen, e a terceira, que encontrou refugio em Vancouver, Canadá. Com foco em duas meninas, a narrativa irá entrelaçar a história das duas famílias junto com a vida atual das garotas, e irá mostrar como o passado continua a impactar o presente.

The Dark Circle, de Linda Grant: Após a Segunda Guerra Mundial, dois irmãos são diagnosticados com tuberculose, e são mandados para um sanatório. Essa sinopse logo me lembrou a história de vida de vários escritos brasileiros, haha. Mas The Dark Circle parece ser sobre a questionável medicina daquela época, e sobre o NHS: National Health Service – basicamente, o SUS da Inglaterra. É um livro que usa a história para discutir assuntos atuais, e que já foi elogiado diversas vezes por sua escrita poética, ou seja: tenho interesse!

Stay With Me, de Ayobami Adebayo: Stay With Me conta a história de Yedije e seu marido, um casal que deseja desesperadamente ter um filho, mas não conseguem conceber. E descontentes com isso, a família do marido anuncia que o dará uma segunda esposa, para que ela “consiga fazer o trabalho que a primeira não consegue”. Descrito como um “thriller sobre casamento”, Stay With Me foi o livro mais elogiado dessa shortlist; é uma história rápida e cheia de reviravoltas, mas que ao mesmo tempo trata de assuntos delicados com a devida sensibilidade, ambientado em uma Nigéria conturbada politicamente. Esse provavelmente será minha primeira leitura da lista, porque estou super curiosa para entender o que é um “thriller sobre casamento”.

The Power, de Naomi Alderman: Em um certo dia, garotas adolescentes subitamente ganham o poder de matar pessoas com apenas um toque; e assim, toda a nossa sociedade entrará em colapso. The Power foi o único livro da lista que eu já li; o li no final do ano passado, e inclusive escrevi uma resenha detalhada sobre a história no goodreads (resenha em inglês, pois foi feita para o netgalley). The Power é uma história que conversa sobre feminismo, fantasias de vingança, construções sociais, sobre como revoluções são feitas, o que acontece depois que a revolução atinge sucesso…. e como o poder sempre corrompe.

O vencedor do BAILEYS Women’s Prize 2017 foi justamente The Power, meu único livro lido da lista, e honestamente, eu não estava esperando por isso! Depois de todos os elogios que Do Not Say We Have Nothing e Stay With Me receberam, poderia jurar que um deles seria o vencedor. Mas ao mesmo tempo, também entendo porque The Power recebeu o título: é um livro que discute feminismo, construção de gênero, e como nossa sociedade funciona atualmente, todos tópicos não só importantes mas também relevantes para o clima político atual. Basicamente, essa foi uma shortlist extremamente forte, que teria justificativas de vencedor para cada um dos livros.

E falando em BAILEYS, lembra que ano passado comentei sobre um dos indicados, Ruby? Então, esse livro foi lançado aqui no Brasil recentemente. Fiz até um vídeo discutindo sobre a história. E o vencedor do Man Booker do ano passado, A Brief History of Seven Killings, será lançado aqui em julho. Prova de que manter um olho nesses prêmios sempre vale a pena, mesmo que você não consiga ler em inglês. 😉

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